Não misture amor e música


Todas essas músicas estão profundamente marcadas no meu peito, como uma cicatriz que arde a cada respiração em que o pulmão se enche de ar. Quanto mais busco respirar e encher o peito com ar fresco, mais as feridas se abrem. Porém hoje não sangram mais, apesar de continuarem doendo, se tornou uma dor nostálgica e latente.
 Tive muitos amores, nunca tive pudor em conquistar meus amores e sempre me entreguei: de corpo e alma, de sexo e palavras, de beijos e declarações. Sempre foi muito intensa, apesar dos meus primeiros flertes que sempre manterei com carinho na memoria juvenil, amores que explodiram junto com meus hormônios logo que entrei na puberdade, assim fazendo um mix emocionante de dopamina misturado aos picos de estrogênio e progesterona justo ao momento de separação do casamento infeliz dos meus pais, foi o momento perfeito para eu me desligar do resto do mundo e focar toda minha atenção naquele único sentimento que me trazia tanta euforia e animação. Acreditava que aqueles rapazes eram os amores da minha vida, assim como também pensava que minhas melhores amigas eram quando me apaixonava brevemente por elas (a bissexualidade ainda é uma questão a ser descoberta, não tive sucesso com as meninas como tive com os meninos, elas me intimidam mais).   Enfim, no meu período de puberdade -11 a 14 anos- foi quando o meu mundo era resumido a ignorar os problemas de casa para me alienar nas minhas paixões juvenis, mas isso se tornou um foco tão intenso que hoje, um pouco mais madura e depois de tantos relacionamentos, me pergunto: eu realmente amei alguém? realmente ele(a)s eram minhas paixões ardentes ou eu só estava projetando idealizações românticas para continuar alienada nessa fantasia emocionante? 
 Foi justamente nessa epoca que escrevia muitos contos com bastante teor sexual , utilizada desse elemento como outra fuga da realidade, assim nasceu essa persona que vos fala, o inicio do Zolpada
Foi então, que aos 14 anos pensei, pela primeira vez, que encontrei finalmente o amor da minha vida e Out the Blue - John Lennon, surgiu na minha vida. Ele era fã de Beatles e Legião Urbana, me agregou infinitamente no estilo musical. Meu primeiro namorado, aquele que me deflorou, aquele com quem aprendi a navegar nas curvas mais sensíveis do corpo descobrindo zonas que nos proporcionavam mais prazer. Foi um primeiro amor lindo, muito aprendizado juntos, muita luta para conseguirmos ficar juntos apesar da distancia e concomitante ao pós divorcio dos meus pais, assim eles estavam finalmente aprendendo a curtir a vida, e eu também! Então mergulhei nessa relação, me apaixonando pela persona que eu admirava tanto: ele parecia o Renato Russo, tocava tantos instrumentos, eu louvava ele tocando guitarra, quando em nosso primeiro aniversario de namoro ele e a banda fizeram um show particular para mim foi o auge da minha vida, imaginei que tinha alcançado o nirvana emocional. Porém, com o passar do relacionamento (4 anos total) fomos amadurecendo e mudando de área da vida, não éramos mais puberbos inocentes de antes, a vida cobrou e crescemos, ele entrou na faculdade, começou a trabalhar e então tudo desandou. Nos tornamos pessoas diferentes daquelas que éramos quando adolescente, eu já não o via com aquela admiração extasiante, ele se tornou mais agressivo e irritadiço (me empurrou no banheiro) e aquela projeção idealizada foi se quebrando como uma cúpula que me mantinha fora da realidade, foi então que terminei com ele, com muita dor senti que foi necessário. Ainda sinto muito carinho por ele, e espero que ele se lembre com carinho de mim.  Quande parte dos textos desse blog foi escrito durante essa utopia amorosa. Soube que ele está em um relacionamento duradouro que parece ser com uma mulher excelente, espero que eles sejam grandiosamente felizes.
Então, aos 17 anos estava entrando na faculdade, e no caminho conheci um homem lindo por quem, imediatamente, me apaixonei! Alto, forte, contrastando sua gélida pele branca com o cabelo e olhos profundamente negros. Ele não falava com ninguém, se mantinha sereno e introspectivo. Não resisti e logo puxei assunto, ele todo solícito me apresentou a faculdade, ele tinha gostos bem diferentes dos meus e isso só me instigou mais. Queria entender mais dele, descobrir ele, e juntos fomos nos descobrindo e se encaixando. Foi um namoro perfeito, me apaixonei profundamente e só conseguia pensar na música "Save me From Myself" e como ela retratava perfeitamente como ele me sempre me resgata quando preciso. Porém apesar dele ser maravilhoso, as sequelas psicológicas que eu havia fugido durante todo aquele período anterior, voltou subitamente. Começaram as dúvidas, ansiedade, distorção de imagem, acabei entrando em um looping de questões psíquicas e terminei com o amor da minha vida.
Logo, aos 21 anos conheci um homem impressionante, fiquei completamente perplexa com sua bagagem cultural e seu raciocínio logico, foi um claro caso de sapiosexual, Concomitante a isso, ele tinha um corpo forte e quente que sabia exatamente como manobrar em meu corpo. Neste periodo curto e intenso vivemos uma vida inteira em um ano, compartilhando segredos, rindo pelados, e comendo fondue ao som de "Ti Amo", quando chorei de emoção e ele me tirou da cadeira para dançar. Era um sonho perfeito, até demais, e quando acordamos do sonho e conhecemos a realidade doi demais: no momento que eu mais estava contando com sua lealdade e honestidade, ele se mostrou completamente o oposto de quem eu acreditava que ele era. Foi uma dor tão dura, me feriu tão profundamente que decidi terminar: já não tínhamos mais os mesmos objetivos e valores. E não satisfeito com o termino, todos os nossos segredos íntimos deste período de felicidade, ele saiu contando para todas as pessoas que pudessem se virar contra mim, o seu ego ferido tentou me machucar o máximo que pode mesmo após o termino. Diferente de todos os outros ex namorados, aqueles que preservo muito carinho e lealdade pela historia que vivemos juntos e desejo somente a mais pura felicidade, esse homem não aceitou que reagi a sua traição e quis me difamar a todo custo. É uma tristeza, pois eu adoro relembrar todas as minhas paixões durante a vida e analisa-las, mas deste caso especifico, eu prefiro esquecer.

Por isso, não misture amor e música:

"Out the blue you came to me

And blew away life's misery
Out the blue, life's energy
Out the blue you came to me"

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When I'm about to fall
Somehow you're always waiting with
Your open arms to catch me
You're gonna save me from myself
From myself, yes
You're gonna save me from myself

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"Ti amo

Un soldo, ti amo, In aria, ti amo
Se viene testa, vuol dire che basta
Lasciamoc"

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