Ana, teus lábios são labirintos
"Ana, teus lábios são labirintos. Ana, que atraem meus instintos mais sacanas".
Esses versos de "Refrão de Bolero" fazem mais sentido quando eu estou com a boca selada nos seus lábios, quando a minha língua encosta na sua e tudo vira um labirinto: as línguas se enroscam, os lábios se selam, mão no cabelo, mão na cintura, mão nas costas, morde lábio, morde queixo, morde ali, beija aqui, beija a boca, abraça forte, suspira fraco e então, descanso na curva do teu pescoço.
"Seu olhar sempre distante, sempre me engana".
Esse verso faz sentido quando nós nos fitamos, e então, eu mergulho no lago castanho dos seus olhos tão profundos e intensos, tão cheios de luz. Nunca sei o que você esta pensando, mas dá para sentir, dá para ler nos seus olhos, que é um bom sentimento, uma boa sensação. Que é amor jorrando do seus olhos iluminados.
O "Refrão de Bolero" não faz tanto sentido agora, que meu despertador está tocando e vibrando incansavelmente, e eu, sem querer acordar, afundo a cara no travesseiro.
Mas logo a música volta a fazer sentido: Faz sentido no primeiro momento em que me vêm sua imagem na minha cabeça (alguns segundos logo depois de acordar), e junto com essa lembrança intensa, me vem rapidamente aquele seu cheiro delicioso, que se concentra na curva do seu pescoço, bem aonde eu pouso minha cabeça confusa e beijo delicado, bem aonde fica uma marca avermelhada no meio do mármore branco que é tua pele.
Em seguida me levanto cansada, e prendo o meus cabelos em um coque no alto da cabeça. E então me lembro que você prefere meus cabelos soltos, para você poder passar a mão livremente.
Caminho lentamente pelo corredor frio, e imagino você lá, me aquecendo com um único abraço, daquela forma protetora e reconfortadora que só voce sabe. Aquele abraço de quando nós nos vemos depois de tantos dias, tantas semanas, tanto tempo de saudades: você abre um sorriso aliviado, e corre sutilmente em minha direção, com os braços abertos, um sorriso aberto e o coração aberto.
Logo chego na cozinha, e ainda sonolenta, derrubo o leite na xícara branca cheia de corações. Sentada na varanda, observando o dia que nasceu ensolarado, lembro de quando você me deu essa xicara, eu fiquei tão feliz... Você vem me dado as coisas que eu mais preciso para ser feliz: seu amor, seu carinho, e você.
E então, em mais um dos meus devaneios, fitando o céu em vão, me pergunto "Por que tudo faz sentido quando incluo você? Por que eu sempre associo tudo á você? Por que tudo me lembra você?"
Talvez seja porque eu enxergo você em tudo, em todas as cores, músicas, palavras e textos. Talvez seja porque eu não te tenho sempre ao meu lado, e tento associar você á todos os objetos, cores, músicas e textos, para sentir sua presença em tudo que esta perto de mim. Talvez seja porque eu sou viciada em você. Talvez seja porque eu te amo...
E me vem á cabeça, de novo, o refrão: "Ana, teus lábios são labirintos [...]"
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